Folha ataca o STF, expõe caso envolvendo familiares de ministros, acerta no diagnóstico, mas erra no “remédio”

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A Folha de S.Paulo expôs em editorial o crescimento exponencial de processos nos escritórios de parentes de ministros do STF após nomeações, com nove advogados (cônjuges e filhos) saltando de 80 para 170 ações no Supremo e de 278 para 1.394 no STJ. O economista Bruno Carazza, no Valor Econômico, documentou o fenômeno do "filhotismo", onde demanda por serviços jurídicos de familiares aumenta significativamente, erodindo credibilidade do Judiciário mesmo sem irregularidades comprovadas. O jornal cita casos como viagem de Dias Toffoli com advogado do Banco Master e contrato de R$ 129 milhões da instituição com escritório da esposa de Alexandre de Moraes.

O texto reconhece que clientes contratam parentes mirando influência ministerial além da competência técnica, somando-se a eventos luxuosos no exterior financiados por empresas com interesses no STF. A Folha defende código de conduta similar ao de cortes americanas e alemãs, proposta de Edson Fachin com resistência interna, alertando que sem autorregulação virão projetos legislativos. Críticos argumentam que autarquia interna não resolverá conflitos de interesse estruturais, defendendo controle externo previsto na Constituição de 1988 como solução efetiva.

A denúncia jornalística alimenta debates sobre nepotismo funcional no Judiciário superior, especialmente após vazamentos do INSS envolvendo Lulinha e investigações contra o Banco Master. O editorial reconhece acirramento político, mas subestima resistência histórica do STF a mecanismos externos de accountability.

Fontes:

Editorial da Folha de S.Paulo e coluna de Bruno Carazza no Valor Econômico, reportados pelo Jornal da Cidade Online, 11/01/2026 às 12:38