Lula faz grave acusação contra Bolsonaro: “Todo mundo sabe”

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou suas críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante um evento oficial no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (16 de janeiro de 2026), marcando os 90 anos do salário mínimo. Em um discurso que começou focado na valorização econômica do benefício, Lula desviou para um ataque direto ao que chamou de "mundo da mentira" nas redes sociais, apontando Bolsonaro como expoente dessa lógica de desinformação. A fala, repleta de ironia, arrancou risadas e aplausos de apoiadores, mas reacendeu o embate político entre os dois líderes.

Sem mencionar Bolsonaro nominalmente em todos os trechos, Lula deixou claro o alvo ao comparar professores sérios com influenciadores de conteúdos falsos. "Eu não conheço um professor de matemática, de geografia, que ensina uma coisa séria, e que tenha quatro milhões de seguidores. Mas, se o cara estiver falando bobagem, pode ter até 20 milhões. O Bolsonaro tinha 30 milhões", disparou o presidente, segundo relatos de veículos como Folha de S.Paulo e G1. A declaração reforça a narrativa de Lula de que a popularidade online do ex-presidente se baseia em fake news e não em fatos, um discurso recorrente desde sua posse em 2023.


Contexto Histórico das Críticas de Lula às Redes Sociais

Esse tipo de ataque não é isolado. Desde o retorno ao poder, Lula tem usado eventos públicos para questionar o impacto das redes sociais na democracia brasileira. Em discursos sobre educação, imprensa e eleições, ele associa a ascensão de Bolsonaro em 2018 às plataformas digitais, que, segundo ele, amplificam mentiras em detrimento de debates sérios. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2022 mostram que conteúdos virais, muitos questionados judicialmente, influenciaram o pleito, com investigações contra aliados de Bolsonaro por disseminação de desinformação sobre urnas eletrônicas.

O evento no Rio ocorreu em meio a tensões recentes. Bolsonaro, inelegível até 2030 por decisão do TSE e sob investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta tentativa de golpe em 2023, mantém milhões de seguidores em X (antigo Twitter), Instagram e Telegram. Seus posts e lives continuam a mobilizar bases conservadoras, com picos de engajamento em temas como economia e segurança pública. Lula, por sua vez, usa essas ocasiões para contrastar políticas concretas — como o reajuste de 7,5% no salário mínimo para 2026, acima da inflação — com o que chama de "bobagens" virtuais.


Debate sobre Regulação das Redes Ganha Força

A fala de Lula coincide com movimentações no Congresso e no STF sobre regulação das redes. Projetos como o PL 2630/2020 (PL das Fake News) tramitam há anos, e o presidente já defendeu medidas para coibir "liberdade para mentir". Em novembro de 2025, o STF julgou ações contra conteúdos extremistas, resultando em bloqueios de perfis bolsonaristas. Aliados de Lula veem nisso uma oportunidade para equilibrar o campo digital, onde Bolsonaro ainda lidera em alcance orgânico — com mais de 30 milhões de seguidores somados em suas contas pessoais, conforme métricas públicas do Instagram.

Nos bastidores, o governo aposta em uma comunicação mais agressiva para reconquistar espaço online. Lula tem aumentado lives e posts em perfis oficiais, focando em conquistas econômicas como o salário mínimo corrigido por inflação mais ganho real. Críticos, porém, alertam para riscos à liberdade de expressão, ecoando debates internacionais sobre censura em plataformas como o X de Elon Musk.


Implicações Políticas no Longo Prazo

O confronto reflete uma disputa maior pela narrativa no Brasil pós-eleições de 2022. Bolsonaro, apesar das derrotas judiciais, influencia pautas como a Lava Jato e reformas econômicas via PL e aliados no Congresso. Lula, com aprovação em torno de 45% segundo Datafolha de dezembro de 2025, usa esses embates para mobilizar sua base petista e centrista. Analistas políticos, como os do Nexo Jornal, apontam que essa polarização digital persiste, com algoritmos favorecendo conteúdos polêmicos.

Enquanto isso, o salário mínimo de R$ 1.518 em 2026 beneficia 60 milhões de trabalhadores, segundo o IBGE, servindo como trunfo econômico em meio à briga verbal. O embate entre Lula e Bolsonaro, longe de eleições imediatas, sinaliza que a batalha pelas mentes — e cliques — nas redes sociais continuará definindo o cenário político brasileiro.


Fontes citadas:

Folha de S.Paulo (16/01/2026): "Lula critica 'mundo da mentira' das redes e cita Bolsonaro em evento no Rio".

G1 (16/01/2026): "Em cerimônia dos 90 anos do salário mínimo, Lula ironiza sucesso de Bolsonaro nas redes".

TSE (relatórios eleitorais 2022): Dados sobre influência digital nas eleições.

Datafolha (dez/2025): Pesquisas de aprovação presidencial.