Saiba quem é a mulher que traiu Nicolás Maduro
| Foto: Twitter de Delcy Rodríguez |
Em um movimento surpreendente que pegou de surpresa observadores políticos na América Latina, Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela e figura central no chavismo por duas décadas, divulgou um comunicado oficial dirigido "ao mundo e aos Estados Unidos" na noite de domingo (4 de janeiro de 2026). O documento, postado em sua conta oficial no Instagram, veio apenas um dia após a captura de Nicolás Maduro pelas autoridades americanas, que o levaram para Nova York para enfrentar acusações de narcoterrorismo e crimes contra a humanidade.
Rodríguez, que assumiu o cargo de presidente interina horas após a detenção de Maduro, adotou um tom conciliador inédito para o regime bolivariano. Historicamente alinhada ao círculo íntimo de Hugo Chávez e Nicolás Maduro — atuando como vice-presidente, ministra das Relações Exteriores e controladora da estatal PDVSA —, sua mensagem marca uma guinada diplomática que muitos interpretam como uma tentativa de distanciamento do legado de repressão e isolamento internacional do chavismo.
Comunicado propõe cooperação bilateral com os EUA e prioriza "relações equilibradas"
No texto integral, Rodríguez enfatiza a busca por um "relacionamento internacional equilibrado e respeitoso" entre Venezuela, Estados Unidos e países da região. "Consideramos prioritário avançar até um relacionamento internacional equilibrado e respeitoso entre Estados Unidos e Venezuela, e entre Venezuela e os países da região, baseado na igualdade soberana e na não ingerência. Estes princípios guiam nossa diplomacia com o resto dos países do mundo", escreveu ela.
A presidente interina vai além e convida explicitamente o governo norte-americano para uma agenda de cooperação. "Proponho trabalhar conjuntamente em uma agenda de cooperação, orientada no desenvolvimento compartilhado, e no marco da legalidade internacional e fortaleça uma convivência comunitária duradoura", declara o comunicado. Essa postura contrasta com anos de retórica anti-imperialista do regime, que frequentemente acusava Washington de conspirar contra a "revolução bolivariana".
Aviso de Trump: "Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto"
O timing do comunicado não é coincidência. Ele foi publicado poucas horas após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em entrevista por telefone ao The Atlantic no mesmo domingo (4). Trump, que retorna à Casa Branca em 20 de janeiro, fez uma advertência direta a Rodríguez: "Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro".
O republicano rejeitou qualquer contestação à operação que resultou na captura de Maduro — uma ação conjunta da DEA e forças especiais, baseada em mandados internacionais emitidos há anos. Trump também sinalizou uma mudança em sua doutrina externa para a Venezuela: "Você sabe, reconstruir lá e mudança de regime, como quiser chamar, é melhor do que o que você tem agora. Não poderia piorar". Suas palavras ecoam promessas de campanha para pressionar regimes autoritários na região, incluindo sanções mais duras e apoio a transições democráticas.
Apelo direto por paz e soberania: "Nossos povos merecem diálogo, não guerra"
Em resposta velada às ameaças de Trump, Rodríguez faz um apelo pessoal ao presidente eleito: "Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem a paz e o diálogo, não a guerra". Ela reafirma o compromisso venezuelano com a paz, argumentando que o país "aspira a viver sem ameaças externas, em um entorno de respeito e cooperação internacional".
O comunicado encerra com uma defesa enfática da soberania: "Venezuela tem o direito à paz, ao desenvolvimento, à sua soberania e ao futuro". Rodríguez assina como "presidente encarregada da República Bolivariana da Venezuela", consolidando sua posição interina em meio a um vácuo de poder que pode durar semanas ou meses, dependendo de negociações com a oposição e atores internacionais.
Contexto da captura de Maduro e implicações regionais
A detenção de Maduro ocorreu na madrugada de sábado (3), em Caracas, durante uma operação surpresa que expôs falhas na segurança do regime. Acusado formalmente nos EUA desde 2020 por liderar o "Cartel dos Sóis" — rede de narcotráfico ligada ao alto escalão chavista —, Maduro enfrenta extradição imediata. Analistas apontam que a ação pode acelerar o colapso do regime, com deserções em massa nas Forças Armadas Venezuelanas (FANB) e pressão de vizinhos como Brasil e Colômbia por eleições livres.
Para o público brasileiro, o episódio reacende debates sobre a influência chavista na América do Sul, especialmente após anos de apoio mútuo entre PT e PSUV. A guinada de Rodríguez pode abrir portas para normalização diplomática, mas sua credibilidade é questionada devido a sanções pessoais impostas pelos EUA por corrupção e repressão.
Fontes consultadas:
Comunicado oficial de Delcy Rodríguez no Instagram: post original (acesso em 06/01/2026).
Entrevista de Donald Trump ao The Atlantic: entrevista completa (publicada em 04/01/2026).
Jornal da Cidade Online: matéria original (06/01/2026).
Departamento de Justiça dos EUA: Comunicado sobre captura de Maduro (05/01/2026).