“‘PT é narcoafetivo’: Ramuth mantém declaração e PT promete processar governador em exercício de SP”
| Foto: Tiago Aureliano/EPTV |
O governador em exercício de São Paulo, Felicio Ramuth (PSD), reafirmou nesta terça-feira (6) a declaração em que chamou o Partido dos Trabalhadores (PT) de “partido narcoafetivo”. A fala reacendeu a tensão entre o governo paulista e a sigla, que já anunciou que vai acionar a Justiça contra o político por danos morais. Ramuth comanda o Palácio dos Bandeirantes desde o Natal, durante as férias do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que está nos Estados Unidos e deve retornar ao Brasil no dia 12.
Em nova manifestação pública, Ramuth afirmou que usou o termo “narcoafetivo” em “sentido político e retórico”, como crítica ao que ele considera uma postura de “tolerância e relativização diante do crime organizado”. Segundo o governador em exercício, o PT teria adotado posicionamentos que, na visão dele, enfraquecem o enfrentamento ao crime e favorecem organizações criminosas.
Na declaração mais recente, Ramuth citou a atuação do PT em temas sensíveis da segurança pública. Ele lembrou o voto da bancada petista contra o chamado PL Anti-Facção, a defesa das saídas temporárias de presos (“saidinha”) e declarações de lideranças da legenda sobre o tráfico de drogas. O governador em exercício também mencionou o acesso de membros do partido a áreas controladas pelo crime organizado e criticou políticas federais relacionadas a fronteiras, drogas e armas.
Para Ramuth, esse conjunto de fatores justificaria o uso da expressão “partido narcoafetivo”. Ele afirmou que “um partido que vota em peso contra o PL Anti-Facção, que promove e defende saidinha de presos, que tem liderança dizendo que traficante é vítima de usuário, que acessa locais onde nem a polícia entra, que permite a entrada de drogas e armas pelas fronteiras e divide palanque com o crime organizado, é, sim, um partido narcoafetivo”. A fala faz referência, entre outros episódios, a agendas políticas em comunidades como a Favela do Moinho, em São Paulo.
A reação do PT foi imediata. O Diretório Nacional do partido confirmou que vai ingressar com uma ação na Justiça contra Ramuth, alegando ofensa à honra e tentativa de associar a sigla ao crime organizado. A medida judicial miraria reparação por danos morais e a retirada das declarações, além de eventual direito de resposta. Integrantes do partido consideram que a fala extrapola o debate político e configura ataque gratuito à legenda e às suas lideranças.
A primeira declaração de Ramuth sobre o tema foi feita na segunda-feira (5), durante agenda na zona sul da capital paulista, quando ele comentava a situação na Venezuela e o fluxo de imigrantes para o Brasil. Na ocasião, o governador em exercício afirmou que o Brasil teria um “Estado narcoafetivo” sob o comando do PT, traçando um paralelo entre o cenário venezuelano e a política nacional. Ele disse acreditar que parte dos imigrantes tende a retornar ao país de origem em busca de “liberdade”, à medida que o quadro político na região mude.
O caso deve alimentar o embate político entre governo paulista e PT nas próximas semanas, em um contexto de disputas narrativas sobre segurança pública, fronteiras, crime organizado e política de imigração. A ação judicial anunciada pelo PT e a eventual reação da defesa de Ramuth podem levar o episódio aos tribunais, com potencial impacto no debate público nacional sobre o tom do discurso político e os limites da crítica entre adversários.
Fontes:
Entrevista e declarações de Felicio Ramuth (PSD) à Jovem Pan News, em 06/01/2026
Coluna e reportagem de Beatriz Manfredini, Jovem Pan, publicadas em 06/01/2026