PF prende mais um por desvio de R$ 120 milhões nas enchentes do RS: tragédia vira caixa dois?
| Foto: Imagem em destaque |
Na manhã desta quinta-feira (26/02/2026), a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Lamaçal e prendeu em flagrante o ex-prefeito de Lajeado (RS), Marcelo Caumo, por suspeitas de desvio de verbas federais destinadas à recuperação das enchentes devastadoras de maio de 2024 no Rio Grande do Sul. A ação expõe como recursos emergenciais para vítimas vulneráveis podem ter sido sugados por fraudes em licitações superfaturadas.
Detalhes da Operação
A investigação foca irregularidades em contratos de R$ 120 milhões para serviços terceirizados de assistência social, como psicólogos e assistentes sociais, contratados sem licitação sob alegação de urgência pela calamidade pública. Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão, dois de prisão temporária, além de sequestros de veículos e bloqueios de ativos, todos expedidos pelo TRF-4.
Empresas do mesmo grupo econômico teriam sido favorecidas, ignorando propostas mais baratas e cobrando acima do mercado.
A primeira fase, em novembro de 2025, já havia apreendido bens e bloqueado R$ 4,5 milhões em nove cidades gaúchas, com apoio da CGU.
Caumo, que era secretário estadual à época, pediu exoneração após buscas iniciais.
Contexto das Fraudes
As enchentes de 2024 deixaram um rastro de destruição no RS, com bilhões repassados via Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) para reconstrução. No entanto, indícios de direcionamento de licitações e lavagem de dinheiro apontam para um esquema que priorizou interesses privados em meio à tragédia, afetando diretamente aposentados e desabrigados.
Repercussão Política
O caso reacende debates sobre fiscalização em verbas de calamidade, com críticas à gestão municipal durante o pico da crise. O advogado de Caumo informou não ter acesso à decisão judicial ainda, enquanto a PF avança para mapear toda a rede de beneficiados. Em um estado ainda se recuperando, o escândalo mancha a imagem de autoridades que deveriam priorizar as vítimas.