Festa secreta, bloqueador militar e autoridades: bastidores das reuniões de Vorcaro vêm à tona

Polícia investiga festas reservadas de banqueiro que usava jammer militar para impedir drones

Foto: Reprodução/ redes sociais

Novos detalhes sobre o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, chamaram atenção nas investigações conduzidas pela Polícia Federal do Brasil. Segundo apuração divulgada pelo jornalista Paulo Cappelli, o banqueiro utilizava um equipamento semelhante aos empregados por forças militares para garantir privacidade em festas realizadas em sua mansão em Trancoso, Bahia, Brasil.

O aparelho, conhecido como jammer, é capaz de bloquear sinais de drones e outros dispositivos de comunicação. A intenção, de acordo com a investigação, seria impedir que drones operados por terceiros registrassem imagens dos convidados que participavam dos encontros organizados pelo empresário.

A confraternização mais recente citada na apuração teria ocorrido em janeiro deste ano, na residência de Vorcaro avaliada em cerca de R$ 280 milhões. Segundo relatos reunidos pelas autoridades, o bloqueador de drones era utilizado para preservar a identidade das pessoas presentes e garantir um ambiente totalmente reservado.

As investigações apontam que os eventos costumavam reunir autoridades públicas, empresários e parceiros de negócios do banqueiro. Em algumas ocasiões, também eram contratadas modelos — muitas vindas de fora do Brasil — que, segundo a apuração, não teriam familiaridade com os convidados nem com a língua portuguesa.

O uso de bloqueadores de sinal é altamente restrito no Brasil e depende de autorização específica de órgãos reguladores como a Agência Nacional de Aviação Civil e a Agência Nacional de Telecomunicações. Segundo a reportagem, o equipamento utilizado por Vorcaro seria de fabricação estrangeira, o que dificultaria o controle pelas autoridades brasileiras.

Mensagens analisadas pela Polícia Federal também indicam que o empresário mencionou encontros reservados com figuras públicas. Em uma conversa, ele relatou ter participado de um “círculo íntimo” com poucas pessoas na casa de um ministro, sem revelar o nome do anfitrião.

As apurações também mencionam encontros fora da agenda oficial com autoridades, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, além de reuniões com o deputado Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados do Brasil. Em mensagens, Vorcaro ainda teria citado um encontro com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

As autoridades seguem analisando o conteúdo coletado durante a investigação para verificar se os encontros tiveram alguma relação com os fatos investigados no chamado Caso Master.

Fontes: reportagem de Paulo Cappelli no Metrópoles; informações da Polícia Federal do Brasil; dados regulatórios da Agência Nacional de Aviação Civil e da Agência Nacional de Telecomunicações.