Vorcaro troca de advogado e avalia delação premiada após nova prisão
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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro decidiu trocar sua defesa jurídica e passou a considerar seriamente a possibilidade de firmar um acordo de delação premiada. A mudança ocorre poucos dias após sua nova prisão preventiva, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.
De acordo com informações divulgadas pela Folha de S.Paulo e repercutidas pelo Jornal da Cidade Online, o advogado Pierpaolo Bottini deixou oficialmente a defesa do empresário, alegando motivos pessoais. A representação legal de Vorcaro agora será conduzida por José Luis Oliveira Lima, conhecido por atuar em casos de grande repercussão nacional.
Advogado experiente em delações
Oliveira Lima tem histórico de participação em negociações complexas envolvendo acordos de colaboração com a Justiça. Ele ganhou notoriedade ao conduzir a delação do executivo Léo Pinheiro, durante a Operação Lava Jato.
O advogado também atuou na defesa de figuras políticas de grande projeção nacional, como José Dirceu, condenado no escândalo do Escândalo do Mensalão, além do general Walter Braga Netto em processos judiciais recentes.
Antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central do Brasil, Oliveira Lima também prestava serviços jurídicos à instituição.
Prisão mantida pelo STF
Vorcaro já havia sido preso em novembro, quando o Banco Central determinou a liquidação da instituição financeira que controlava. Posteriormente, ele foi liberado sob medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de deixar a cidade de São Paulo.
No entanto, segundo a decisão do ministro André Mendonça, novas evidências apontariam que o empresário teria descumprido essas restrições. A Polícia Federal encontrou mensagens em seu celular que indicariam tentativas de interferência no debate público e pressões contra instituições.
Entre os registros analisados pelos investigadores estariam conversas nas quais Vorcaro discutia a contratação de influenciadores digitais para atacar o Banco Central e outras autoridades.
Mensagens e suspeita de intimidação
Ainda de acordo com a investigação, mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro indicariam a existência de uma espécie de estrutura privada usada para pressionar ou intimidar desafetos.
Em uma das conversas, enviada a um colaborador identificado como Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão — apelidado de “Sicário” — Vorcaro teria sugerido ações violentas contra uma funcionária com quem mantinha disputa.
Outra mensagem mencionaria uma tentativa de intimidação contra o jornalista Lauro Jardim, da O Globo, incluindo a ideia de simular um assalto como forma de ameaça.
Possível impacto político e judicial
A eventual delação premiada de Daniel Vorcaro pode ter forte repercussão no meio político e financeiro, dependendo das informações que o empresário decida revelar às autoridades.
Investigadores avaliam que, caso o acordo avance, o ex-banqueiro poderia detalhar bastidores de negociações envolvendo o sistema financeiro, relações políticas e estratégias de pressão contra órgãos reguladores.
Até o momento, não há confirmação oficial de que o acordo de colaboração tenha sido formalmente iniciado, mas a troca de advogado é vista por analistas jurídicos como um movimento típico de quem pretende abrir negociações com a Justiça.
Fontes:
Folha de S.Paulo; Jornal da Cidade Online; informações da investigação da Polícia Federal e decisões do Supremo Tribunal Federal.